Arquivo para Familia

De volta ao exílio

Já cheguei à Irlanda, de facto cheguei na 3a feira, mas só hoje consegui tempo para escrever.

Este artigo vai ser o primeiro de tres, onde vou relatar a minha escapadinha a Portugal, fazer o balanco dos 4 meses passados até agora na Irlanda, e falar da DECISAO que tomei enquanto estive em Pt. Quanto ás fotos prometidas, ainda estou á espera que o meu primo Nuno me envie, pois eu esqueco me sempre de tirar. :P

Na passada 5a feira parti no comboio com destino a Dublin à tarde e cheguei por volta das 22:00 ao Jacob’s Inn, onde fiquei impressionado logo assim que entrei, com a qualidade daquele “hostel” (ja vi hoteis de 4 e 5 ***** em Pt muito piores que este). Tinha uma fachada toda xpto, wifi gratis, e melhor ainda: uma recepcao maior que a do Hotel Sao Joao de Deus (nao é muito dificil).

O problema, foi que quando cheguei os pc’s tinham ido abaixo, e nao me podiam fazer o check-in. Fui solidário com os meus colegas de profissao e disse lhes para estarem á vontade. Fica já aqui um apelo a todos: Se o recepcionista nao consegue fazer o check in, nao vale a pena se porem aos berros e a pressionarem as pessoas, pois a maioria dos recepcionistas nem sequer gosta daquilo que faz e se apertam muito com eles, o que pode acontecer é levarem uma resposta que nao gostem, ou pior, ser lhes atribuido um quarto na cave! Nao se esquecam que quem manda é o recepcionista, ainda nao inventaram hoteis self service onde o cliente escolhe o quarto.

Às 23:00, là o recepcionista me chamou, e me deu entrada. Outra surpresa foi o exemplar profissionalismo com que fui atendido, mesmo com o hostel cheio (com cerca de 200 e tal pessoas hospedadas), o que me levou a perguntar lhe porque ele estava a trabalhar ali e nao num grande hotel internacional. O gajo respondeu me que ali só atende gajas novas e nos grandes hoteis é só velhas. É esperto!

Nao consegui dormir nada, pois estava num dormitório mixo com cerca de 20 gajos e gajas da Itália e Espanha, que tinham vindo a Dublin para a Fiesta. Ás 3:30 lá tocou o despertador e como sou vingativo, deixei o tocar e tocar, para acordar o pessoal todo que ficou bué lixado. Ah pois é!

Cheguei a Amesterdao ás 9:00 e fui dar uma volta pela avenida do aeroporto, onde pude ver as duas grandes atracoes turisticas dessa cidade: gajas e porros! As gajas nao eram prostitutas, mas eram jeitosas e bem vestidas. Quanto aos porros fiquei muito admirado quando vi um rastafari a andar em direccao á entrada do aeroporto com um nas unhas,  quando chegou ao pé dos segurancas o apagou e entrou no terminal. Os segurancas nao disseram nada!

No voo para Lisboa, estava um bocado chateado porque me calhou um lugar no meio do banco, e eu só gosto do lugar ao pé da janela, e ainda por cima, o ar condicionado nao funcionava. Felizmente lá se sentou ao meu lado uma holandesa de nome Astrid (spelling?), com quem vim a falar o caminho todo até Lisboa, e lá ajudou a tornar a viagem mais fácil. Thanks Astrid, you saved my flight!

Chegado a Lisboa, saio na porta das chegadas e vejo uma multidao de chinocas com cartazes com dizeres asiaticos, o que me levou a pensar se nao tinha desembarcado em Shangai. Lá no fundo encontrei o meu primo Edgar que tinha vindo me buscar. Claro que como estou habituado ao clima irlandes, quando sai do aeroporto parecia que estava a arder, pois estavam 36 graus!

Quando cheguei á Terrugem, fui cumprimentar a família e fui para casa comer umas MIGAS, pois pessoal emigrante, comi umas MIGAS! E depois de jantar ainda bebi uma BICA! Á noite fui para a casa do Conguito fazer o habitual petisco das festas, onde levei uma garrafa de whisky irlandes, e como estou habituado a beber a irlandesa, foi shots a rodar.

O problema foi que na Irlanda a noite dura até á meia noite e nas festas da Terrugem dura até amanhecer, o que me tombou ás 5 da matina, e me levou a vomitar na minha casa de banho. Até me deixei dormir com a cabeca na sanita e com o tampo fechado! eheheh

No sabado passei a tarde na piscina dos meus tios e á noite fui jantar com os meus ex-colegas do HSJD na barraca dos frangos, para matar as saudades e por a conversa em dia. E depois disso lá fui outra vez para a travessura, mas desta vez a beber á portuguesa, sem pressa (e sem whisky). Foi uma noite altamente, onde toda a conversa ia dar ao dente partido (eheheh). Já de manha, e depois de beber o Banacao á do Patilhas, lá cumprimos a tradicao e fomos atrás da banda que faz a arruada pela manha. Este ano o tema foi o grande exito internacional “Cuecas amarelas” de Ricardo Xibanga. Ainda fomos ate a Sociedade comer e beber antes que o pessoal fosse para casa. Como eu nao gosto que as pessoas na rua me digam para ir para casa, fiz me torto e ainda andei pelas ruas até as 4 e meia, altura em que as forcas ja me faltavam e me fui deitar.

No Domingo, basicamente só saí mesmo para me despedir do pessoal, pois á meia noite fui para casa me deitar. Tinha que me levantar ás 5:00.

O aviao para Paris atrasou se meia hora, devido a razoes de seguranca, e quando cheguei a Paris, só já tinha 20 minutos para apanhar o outro aviao para Dublin. Como Franca esta em alerta laranja face á ameaca de terrorismo, demorou 1 hora e meia para passar pela seguranca. Claro está que perdi o voo, mas depois de conter a minha fúria e ser extremamente bem educado com o empregado do apoio ao cliente, lá consegui que me compensassem com outro voo no dia seguinte e uma estadia num hotel da mesma empresa onde trabalho com tudo pago! Telefonei ao meu pai e depois ao meu chefe, que me disse que nao fazia mal pois no outro dia tambem estava de folga (se me tivesse dito antes, tinha ficado em Pt mais um dia!).

Chegado ao Comfort Hotel do aeroporto Charles de Gaulle, a primeira coisa que disse ao recepcionista foi que trabalhava na recepcao de um clarion hotel, o que me levou a ter tratamento Vip, e ficar no melhor quarto do hotel. eheheh

Depois de tomar uma banhoca, desci e fui tomar uma cerveja antes de jantar, para depois ir ao centro de Paris tirar umas fotos. Os plando foram alterados quando um canadiano frances que tambem tinha perdido o voo me interrompeu e um militar frances que ia para o Darfur se juntaram a mim a beber canecas. Em suma, nao fui a Paris, e apanhei uma tosga que me esqueci do casaco no restaurante. É o que dá, qaundo me oferessem tratamento Vip com tudo pago!

Na terca feira (finalmente) cheguei a Dublin, e como tinha imenso tempo, fui dar uma volta pelo centro, onde me fartei de andar com uma mala de 22kg á pata, pois uma das rodas partira se. Lá encontrei uma loja de chineses bué estranha, que era um ciber café, vendia capas para telemovel e guardava malas! Deu para ver o email, e guardar a mala enquanto fui dar uma volta pela O’Connel Street e Parnell Street.

Tenho que ir mais vezes a Dublin, pois é a segunda vez que visito e nao sei por que, é uma cidade que me fascina, pelas sua avenidas colossais, pela alegria que os músicos de rua transmitem aos passantes, e também porque em Dublin, se pode encontrar de tudo o que queiramos comprar.

Ás 7:00 finalmente cheguei a casa em Sligo, mas com estava exausto, fui me deitar sem sequer abrir a mala e provar um dos queijos ou chouricos que a minha mae me pos na bagagem.

Soube me imenso bem esta viagem, principalmente porque pude matar as saudades da familia e dos amigos, e pude também tirar um tempo para reflectir sobre a minha estadia aqui na Irlanda e as minhas ambicoes para o fururo. Tambem me fez bem conhecer outras cidades, falar com outras pessoas, conhecer outras culturas e custumes.

Tenho que fazer isto mais vezes…

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Saudades

Boas,

Ja la vao 3 meses e meio desde que comecou a Aventura, e como o titulo indica, ja comecam a pesar as saudades.

Agora e que eu percebo os jogadores brasileiros, que quando vao passar ferias ao Brasil, as vezes demoram a voltar, pois o que me apetece mesmo e ir a Terrugem por um mes e nao so por 3 dias como vou em Agosto. Embora aqui tambem tenha amigos que me apoiam, e a vida me corra bem por aqui, quer profissional, quer finaceiramente, sinto no meu peito que me falta qualquer coisa. Essa coisa sao a minha casa, os meus amigos e a minha aldeia (pois ate daquelas noite de seca no cespau sinto falta!).

Bom, mas como estou quase de partida, passamos a frente e falemos da semanada:

Nao se passou muito nesta ultima semana, houve muito trabalho (7 dias de seguida sem folgar, xosta!), nao tive vagar para sair a noite, mas ate foi bom, pois tenho que poupar dinheiro para ir a Pt. E como andava tao cansado, nao lavei a loica nem passei a ferro durante a semana toda, nem imaginam a bagunca! Mas como o Mario e um fixe, deu me 3 dias de folga no sabado, domingo e 2a feira, deu para recuperar e deixar a casa em condicoes.

No trabalho, o staff da recepcao recebeu um voucher no valor de 100€ para ir jantar aos Embassy Rooms, um restaurante de elite no centro da cidade, nao e muito, mas quando formos ja da para abater um bocado da conta. Portanto talvez para a semana vamos a jantar a barao!

Ontem (Domingo), houve reuniao mais uma vez, e pela primeira vez em quase 4 meses, o Mario disse que se sente orgulhoso da equipa, e que progredimos tanto quase nao nos reconhece. Que nos estamos a portar bem, e quer que o nosso progresso seja ainda maior, para fazer ver aos outros departamentos. Eu acho que devemos progredir, nao para o “ingles” ver, mas para convencer a direccao a aumentar os nossos ordenados, o que numa altura de crise se esta a demonstrar um pouco dificil.

Outra coisa – Agora e que me estou a aperceber que fiz bem em ter vindo para a Irlanda, porque embora eu esteja a ganhar muito pouco em relacao a media nacional para a minha categoria, so em 3 semanas espero juntar o mesmo que o meu antigo ordenado em Pt, e ja com tudo pago (Casa, carro, etc.). Ainda bem, porque foi mesmo para isso que para aqui vim!

Ate a proxima!

Bruno

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Emigrar?

Depois de muita gente me ter questionado pela minha sanidade mental ao tomar a decisao de emigrar, e tantos outros me terem peguntado como e emigrar, aqui vai um post dedicado ao principal tema da Aventura.

Como todos ja sabem, o pais nao anda la muito bem, ha quem diga que tem um cancro! Mas o que leva uma pessoa a emigrar? Ha inumeros caso, mas o principal motivo e chegar a um ponto em que nao ha outra saida possivel. No meu caso, eu estava descontente com o meu ordenado, e sabia ha partida que poderia ser aumentado, mas depois de refletir durante alguns meses, reparei que mesmo com o aumento que o meu patrao poderia me dar, eu nunca poderia construir a minha vida a volta de um ordenado a portuguesa.

Ha outras pessoas que andam fartas de visitar o centro de emprego cada vez que acabam um contrato experimental, outras que nem sequer viram um contrato!

Chegamos a um beco sem saida, onde imaginamos o nosso futuro, e nao e muito risonho. Ao passo que as possibilidades de vir a triunfar no estrangeiro sao muito atractivas.

Quanto a experiencia, que ainda e pouca, que tenho de ser emigrante, acho que no meu caso, tenho apenas a ganhar, quer em termos profissionais, quer em experiencia de vida. Aprendi nestes 2 meses a viver independente dos meus pais, a sobreviver tambem, pois que a vida de um emigrante nao sao rosas, nem mesmo aqui na Irlanda, onde as pessoas sao bue simpaticas, ha que ser um bocado macaco! Aprendi tambem imenso no ambito profissional, digo ate que se calhar aprendi mais nestes ultimos 2 meses aqui, do que os 3 anos que trabalhei em Pt.

Embora o meu caso nao seja o melhor exemplo, por aqui as pessoas tem mais tempo (e dinheiro) para se divertir, pois nao ha necessidade de ter 2 empregos, ao contrario de Pt. As pessoas andam mais relaxadas e isso contribui bastante para a felicidade.

No outro lado da balanca, ha que ver os aspectos sociais, pois nao me venham para ca a dizer “nao te preocupes com as saudades, porque arranjas amigos”, porque nao e bem assim. Os amigos daqui ajudam a distrair, e verdade, mas todos os dias, os meus sonhos passam-se sempre na Terrugem, nao em Sligo, as pessoas que aparecem sao os meus amigos de Pt, nunca sonhei com o pessoal daqui. E a familia? Isso e que e o pior! Se estao a pensar em emigrar, pensem primeiro se aguentam a pressao, pois eu gosto de me fazer forte, mas admito que custa bue.

Outra coisa negativa, e o facto de no estrangeiro tu e que es o ucraniano, ou brasileiro, etc., sempre que alguem daqui tiver que favorecer alguem em detrimento de outra pessoa, tu e que ficas sempre no fio da navalha.

Falando especificamente da Irlanda, acho que quem ta a pensar vir para ca, venha com contrato asinado desde Pt, porque se estao a procura de emprego ca, vao passar um mau bocado. O tempo das vacas gordas ja passou, a economia esta a abrandar, o desmprego a subir, embora ainda nao seja alarmante, e os ordenados vao comecar a congelar em breve.

Escolham tambem a zona para onde querem vir, pois embora que aqui no Oeste, o custo de vida e extremamente baixo em relacao aos ordenados, e mais dificil arranjar emprego, ao passo que em Dublin, arranja-se trabalho mais facilmente e os ordenados sao exurbitantes, principalmente nas TI, e mais dificil arranjar casa e o custo de vida papa grande parte do ordenado.

Em suma, se estas a pensar em emigrar, pensa bem, e nao de um dia para o outro, leva o teu tempo, um mes, dois meses seja o que for, e se achares que e o melhor para ti, leva na bagagem fracas perspectivas, pois mais vales surpreenderes-te pela positiva, que pela negativa.

Espero que tenha satisfeito todas as vossas duvidas, senao mandem me um mail: bruno_terrugem@msn.com , pois eu tambem gostei quando respoderam as minhas perguntas. So nao me perguntem se querem vir viver comigo, a nao ser que sejas uma rapariga gira e que saiba arrumar a casa (lol).

Um abraco,

Bruno

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Dia da Mae

Neste dia tao especial, como estou tao longe e na impossiblidade de enviar um presente para a minha mae, pensei em dedicar um poema de Eugenio de Andrade:

“No mais fundo de ti
Eu sei que te trai, mae.

Tudo porque ja nao sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.

Tudo porque ignoras
Que ha leitos onde o frio nao se demora
E noites rumorosas de aguas matinais.

Por isso, as vezes, as palavras que te digo
São duras, mae,
E o nosso amor e infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coracao
No retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez nao enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E ate o meu coracao
Ficou enorme, mae!

Olha – queres ouvir-me? -
As vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;

Ainda aperto contra o coracao
Rosas tao brancas
Como as que tens na moldura;

Ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio do laranjal…

Mas – tu sabes – a noite e enorme,
E todo o meu corpo cresceu.
Eu sai da moldura,
Dei as aves os meus olhos a beber.

Nao me esqueci de nada, mae.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.”

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